Morri. De uma forma que não conseguiria explicar. Morri e não há como ressuscitar. Morri e sou um simulacro vivendo simulações.
Verão a mesma pessoa de sempre. Mas, estou morta. Morta como uma personagem de ópera que demora vinte minutos para morrer e outros tantos para reconhecer que está morto.
Não pensem as minhas Ilusões que isso acontece pelas bobeiras faladas. Fiquem tranqüilas, Ilusões, há muito juramos não mais nos iludir. Minha Realidade matou-me. Minha teimosa mania de sentir demais e ter medo de não suportar o Engano.
Lego Engano esse o meu. Jurei-me abrir caminhos para poder respirar melhor e só encontro o emparedamento que acerca a mim e ao outro.
O que me sobra é o Espelho, a possibilidade de seguir sem olhar para trás, esquecendo de não me recordar do caminho.
Somos todos sopros de querubins que ludibriam os deuses. Fantoches de vontades e desesperos. E nos cremos humanos. Transformamo-nos em catadores de ilusões.
Riscamos um palácio de giz no chão e exigimos que ele seja tridimensional.
Diz o ditado que o que não nos mata, nos fortalece. Mas, o que dizer dos que se acreditam mortos?
Talvez estes consigam a redenção final que os liberte de seus simulacros e suas simulações. Aí então nesse dia, o casulo trágico se rompa e simplesmente um botão de rosa surja com suas pétalas a compor uma nova vida.




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