Nessa egocêntrica busca para encontrar quem sou e por que estou, deparo-me sempre com meu próprio umbigo. Preocupações pequeno-burguesas, ridículas. No entanto, tenho um profundo incômodo ao olhar o mundo à nossa volta. Principalmente quando sou obrigada a reconhecer que não faço nada, nada para torná-lo menos pior. Comprar algum sossego com pequenas doações às entidades assistenciais é paliativo. No Natal, resolvi pedir para cada pessoa que viesse em casa que trouxesse uma doação para as crianças com aids e ficam em um lar especial. Foi uma maneira de não sentir essa dor que volta e meia me assola e me deixa desconsolada. Me reconheço uma covarde criatura que não avança um passo em direção a fazer algo de bom para o outro. Não suporto pensar em quantas crianças têm suas infâncias roubadas enquanto eu apenas me preocupo com um bom colégio para meus filhos. Escrever é um exercício de escuta para mim mesma. Às vezes, fico a perguntar se minha pesquisa é de fato útil. Enquanto isso, civis são mortos pelos soldados russos na Georgia. Vou estudar física. Dói menos.




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