Natal, 1° de setembro de 2008.
Lançarei um livro intitulado Cartas de Hotel. Hahahahah. Sempre que estou em um quarto de hotel tenho essa vontade imensurável de escrever. Tenho memórias, registros escritos e narrativos de Itararé, Dois Córregos, Jaú e agora Natal.
Nem sempre estou em férias. Mesmo aqui em Natal estou com a cabeça nos passeios e a outra no trabalho que vou apresentar.
Fui à praia? Sim. Passeamos pelo calçadão à tarde de ontem, um domingo com uma brisa adorável e um sol gostoso. Não entrei no mar. Estava cansada demais para isso. Mas, gosto da brisa que Natal tem.
Voltamos à praia durante a noite. Gosto da imagem noturna do mar, essa imensidão que nos desafia, que nos dá a consciência de nossa pequenez. Fomos em um grupo divertido, pessoas interessantes. As meninas eu já conhecia das aulas do Adenil. Cláudio e Cat foram as gradáveis surpresas que permitiram ser a noite ainda melhor.
Meus filhos não vieram. Foi difícil sentir-me feliz com uma viagem que significa tanto sacrifício para minha mãe e os meus pequenos. Meus irmãos Rita e Fernando me ajudaram. Houve um tempo em que soube de muito perto o que é solidão. A dor da solidão, a Angústia da solidão, a dureza da solidão. Ficaram cicatrizes que me dizem que não posso pedir ajuda a ninguém. Mas, penso que em alguns momentos a vida nos brinda com surpresas que nem sempre acreditamos existir.
Fernando e Rita se organizaram para ficar com minha mãe e, conseqüentemente, com as crianças. Senti algo surreal quando minha irmã veio com uma imensa sacola de roupas dizendo-me que se ao menos ela não viajava, que fossem as roupas hahahahah!
Agora estou aqui, com essa vista linda em que vejo o mar com sua espuma branca quebrando na areia. As palmeiras imperiais agitam-se molemente em meio aos carros, enquanto eu, alheia aos raios do sol que queimam lá fora, escrevo em minha mesa de trabalho. Deveria revisar meu texto, editar o vídeo que vou apresentar, mas sou seduzida e tragada por esse pedido que vem do meu âmago e me pede para fotografar com palavras visões, sensações e sentimentos que esse momento produz em mim.
Sairemos para um passeio logo mais às onze e meia. São onze horas e ainda não pus biquíni, nem arrumei as coisas. Estou hipnotizada por este momento em que há uma total simbiose entre o que vejo, sinto e escrevo. A escrita faz isso comigo: torna-me parte introspectiva de um processo que até então era uma parte extensa a mim.Com a escrita há a intensidade do momento vivido multiplicado por milhões de segundo, como se cada minuto tivesse um contar diferente do tempo existencialmente aplicado ao cotidiano.
Assim, nos minutos que transcorreram desde o primeiro parágrafo do texto até agora, fui deixando de ser simplesmente Maria Ester para tornar-me uma com esse universo que nunca conseguirei definir plenamente. Simplesmente Mar ia.