Possibilidades


18/09/2008


Ode às Mulheres

* Antes de mais nada, este texto não se pretende filosófico, ou intelectualizado, muito menos científico. É apenas um contentamento com a condição feminina.

 

Sempre senti um enorme prazer em ser mulher. Amo menstruar! Sim senhor! O que a maioria vê como um terrível incômodo, eu acho magnífico, pois faz parte da minha feminilidade. Deixo claro que conheço e reconheço as dores e o desconforto que esses dias trazem, mas, ainda sim, entendo como parte do meu ser, da natureza mutante, tipicamente feminina.

Ser mulher é poder flertar com o espelho sem ter medo do homoerotismo. É chorar com o espelho sem medo do ridículo.

É poder ser mãe! Ou não.

Ser mulher é ter o cabelo cumprido e cortá-los, desfilar de salto alto e reclamar do cansaço nas pernas.

Deve ser muito chato ser homem e só poder escolher a cor da cueca. Ou se ela será no estilo sunga ou box. Atire a primeira pedra a mulher que nunca ficou babando diante de uma linda lingerie e ficou elétrica pensando na cinta-liga ou no espartilho feito para arrasar, ainda que na modelo da propaganda a peça fique muito melhor!

Sinto a feminilidade pulsando em mim quando posso trabalhar fora e ainda sim ser mãe. Quando posso passar uma maquiagem, a despeito do que dizem as feministas do começo do século XX, e ler tranqüilamente um texto epistemológico. Quando vou tingir meus cabelos de loiros claros, escuros ou acinzentados e ler uma tragédia grega de Eurípedes ou Sófocles sem que me sinta inteligente ou burra demais para o texto em comparação ao cabelo tingido ou descolorido.

Que divino encantamento é vomitar incessantemente três meses consecutivos até tomando banho e depois sentir o bebê mexendo dentro de si. Ah! Nunca me esquecerei do desconforto que as duas vezes em que engravidei senti! Como nunca vou me esquecer que maravilhoso foi sentir meus filhos crescendo em meu ventre!

Amamentar! Que verbo glorioso! Verter leite!!! Eu amei quando o número do sutiã saltou do 42 para o 48! O rosto do bebê! O alívio da mamada quando produzia muito leite. Doar leite para o Banco de leite. Sentir-se Nutriz! Ah!!!! Nem deu para ficar triste com os quilos enfiados na região da cintura!

Ser mulher é deixar-se levar pelo sentimento e não ter conflito com isso. Dar-se o direito de amar intensamente, odiar intensamente e fazer beicinho se o momento for interessante para recuar.

Ao longo da história, nós mulheres pagamos um preço por sermos mulheres. Principalmente porque o mundo sempre foi visto pela ótica masculina. Não acho que o processo histórico seja dos mais belos se for considerada a violência física, psicológica e sexual a que muitas mulheres são sempre submetidas. Isso torna-nos arquetipicamente heroínas e mártires. Isso me assusta. Isso me torna forte em minha condição feminina.

Não abro mão de ser mulher em todos os recantos do meu ser. Não quero ser minimamente masculinizada. Não quero dirigir como um homem (muitas vezes referem-se assim às mulheres que supostamente dirigem bem), não quero trabalhar como um homem. Não quero sentir prazer ou desejo como um homem (outra referência masculina para a, também, suposta liberalização sexual da mulher). Quero ser mulher e louvar as diferenças existentes entre os opostos. Além de que, a sexualidade feminina é tema recente de discussão, o que me faz acreditar que há muito a ser explorado, estudado, testado (oba!!!). Para a sorte de homens e mulheres!

Quanto à mercantilização do corpo feminino, penso apenas que tudo se tornou alvo de consumo. Além de que, isso nem é tão novo. Quantas mulheres foram vendidas ao longo da história? Mudou-se a forma. A essência do comércio permanece. Que o preço seja, ao menos, alto!

Sinto quando há uma simplificação da condição feminina explícita em seriados como Lipstik Jungle ou Sex&City e fico mortificada pela eterna busca da bunda sempre em pé, da pele esticada ao extremo, das bulimias em nome de um padrão de beleza. Saudade das musas renascentistas.

Aí entra o meu senão. Que pena ser a sedução do padrão de beleza global algo que chega a mexer com o bom senso de muitas mulheres. Isso sim é pior que a escravidão de fato, pois é uma escravidão implícita, portanto, difícil de ser combatida.

O Pai dos deuses é um princípio masculino (Zeus) na mitologia grega. Mas, a Deusa do Amor é Afrodite. Princípio Feminino. Áres é o deus da guerra. Mas, a grande guerreira e deusa da sabedoria é Palas Atena...

É essencial haver os paradoxos na construção da humanidade. Assim, este canto não tem como objetivo desprezar a condição masculina. Apenas quer vibrar com todas as qualidades femininas e gritar para o mundo que igualdade não é o objetivo. E sim o respeito às maravilhosas diferenças que justamente nos fazer magnífcas. Com TPM e todo o resto!

Escrito por Mim às 18h43
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14/09/2008


Ato e potência vs Mênades

Às vezes é preciso reconhecer que somos ato e potência. Mas, é bom ter noção da impotência.

Quando a potência supera o ato, deixamos de avançar e apenas iramos em torno de nós próprios.

Quem somos enquanto olhar do outro? Quem somos enquanto olhar próprio?

Vago em minhas próprias opiniões, jocosa em meu olhar defronte ao espelho.

Explodo em emoções que, aos poucos, implodem quem eu fui e quem poderia ter sido.

Paro diante da encruzilhada que um furacão trouxe à porta de minha jangada: ser Monalisa de riso cínico; ser a Vênus nascendo sob a espuma do mar; ser a Liberdade guiando o povo, tal como o quadro de Delacroix? Quem sou? Gostaria de ser?

Ainda navego em Heráclito e flerto com a possiblidade de ser uma Mênade em busca do meu equilíbrio adorando Dioníso. Evoé!

Escrito por Mim às 20h28
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos

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